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Meta anuncia Petal: o primeiro cabo submarino de 1 Petabit por segundo entre EUA e Europa

•4 min de leitura
Capa de Meta anuncia Petal: o primeiro cabo submarino de 1 Petabit por segundo entre EUA e Europa

A aposta da Meta em infraestrutura de rede

A Meta revelou o Petal, um cabo submarino de fibra óptica de 7.000 km que pretende ser a primeira ligação transatlântica a entregar 1 petabit por segundo de capacidade entre os Estados Unidos e a França. A expressão "petabit" soa exagerada, mas equivale a um milhão de gigabits por segundo — o suficiente para trafegar, em teoria, dezenas de milhares de filmes em HD no tempo de um piscar de olhos. Para a indústria, é um salto de geração: os cabos transoceânicos mais rápidos em operação hoje entregam entre 320 e 400 Tbit/s, ou seja, menos da metade do que o Petal promete.

O projeto nasce de uma parceria com a japonesa NEC e a Sumitomo Electric Industries, tradicionais fabricantes de cabos submarinos. A francesa Orange entra como parceira de operação, responsável por coordenar o landing (o ponto onde o cabo atinge a costa europeia) no lado francês. Esse último detalhe importa: a chegada de um cabo de 7.000 km a uma praia exige licenças ambientais, permissões de escavação submarina e coordenação com a malha de telecom local — e ninguém melhor que uma operadora nacional para destravar essa engrenagem.

Por que um cabo próprio interessa à Meta

A pergunta inevitável é: por que uma empresa de redes sociais e IA está financiando infraestrutura de telecom que, historicamente, era domínio de operadoras e consórcios? A resposta passa pelo volume de dados que a Meta movimenta entre data centers próprios — treinamento de modelos de IA, inferência em escala, troca de tráfego entre regiões, backup de fotos e vídeos. Ter um cabo dedicado significa controle de latência, de capacidade e de rota, sem depender da fila de terceiros.

O padrão se repete: Google opera seus próprios cabos submarinos há anos, a Microsoft investe em trechos como o MAREA, e agora a AWS estende a malha da Fastnet. Para hyperscalers — as gigantes de nuvem que operam infraestruturas continentais —, o cabo deixou de ser commodity e virou vantagem competitiva. Quando cada milissegundo de latência entre um data center na Virgínia e outro em Marselha pode significar diferença entre um modelo de IA respondendo rápido ou travando a experiência do usuário, o controle da camada física vira prioridade estratégica.

O tamanho do salto tecnológico

O Petal entrega mais que o dobro da capacidade do cabo AWS Fastnet, previsto para ligar EUA e Irlanda com 320 Tbit/s, e também supera o cabo Austrália-EUA anunciado em janeiro, com 400 Tbit/s. Em números brutos, o salto vem de uma combinação de fatores: novos fibras ópticas com maior banda passante (a capacidade de cada filamento de vidro de transportar comprimentos de onda simultâneos), técnicas de espaçamento de frequência mais densas — pense em empacotar mais canais numa mesma fibra — e amplificadores ópticos de última geração que recompõem o sinal ao longo de milhares de quilômetros sem distorção.

O "petabit" continua sendo um teto teórico agregado — dificilmente um único usuário verá 1 Pbit/s fluindo. Mas, em cabos modernos, a capacidade total é compartilhada entre múltiplos comprimentos de onda e rotas lógicas, o que torna a métrica relevante para dimensionar a rede como um todo.

A geopolítica dos fundos do oceano

Esse boom de cabos submarinos não passa despercebido por governos. Legisladores americanos já cobraram publicamente explicações das big techs sobre salvaguardas de segurança aplicadas à infraestrutura submarina — não sem motivo. Nos últimos anos, incidentes de cortes e sabotagens em cabos no Mar Báltico, no Mar Vermelho e em outras regiões elevaram o tema ao nível de infraestrutura crítica nacional.

A fragilidade é estrutural: um cabo transatlântico moderno pode custar centenas de milhões de dólares e levar anos para ser reparado em caso de dano. Quando a capacidade de comunicação entre continentes depende de poucas dezenas de feixes de fibra no fundo do oceano, qualquer incidente deixa de ser falha técnica e vira questão de soberania digital.

O que ainda não sabemos

O anúncio da Meta não trouxe cronograma detalhado de operação, custo estimado do projeto nem janela de ativação. Também não está claro se o cabo será de uso exclusivo da Meta ou se haverá capacidade revendida para terceiros, como ocorre em alguns trechos de Google e Microsoft. A empresa também não detalhou quais rotas de pouso (landing points) usar no lado americano — informação sensível do ponto de vista de segurança nacional.

O Petal ainda é promessa no papel. Mas, se a Meta cumprir o que desenhou, a próxima década de tráfego entre EUA e Europa vai trafegar por uma infraestrutura que ela ajudou a reinventar.


Fontes consultadas: Computerworld (https://www.computerworld.com/article/4226684/meta-floats-project-to-lay-first-petabit-submarine-fiberoptic-cable-2.html), Network World (https://www.networkworld.com/article/4226661/meta-floats-project-to-lay-first-petabit-submarine-fiberoptic-cable.html), ARN (https://www.arnnet.com.au/article/4118377/subco-to-build-sovereign-owned-direct-fibre-connectivity-project.html), CSO Online (https://www.csoonline.com/article/4099959/submarine-cable-cybersecurity-protecting-critical-infrastructure.html), Network World — Fastnet (https://www.networkworld.com/article/4084896/aws-fastnet-cable-expands-cloud-reach-but-cios-must-watch-the-fine-print.html).

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